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4 poemas solitários

(para o Rolando de Sá Nogueira)




As folhas da minha árvore
tocam as folhas do meu destino
os caules, delgadas linhas,
espreguiçam-se e plumas leves são sopradas
pelo vento
onde as pétalas ondeiam,
como fios.
Os sons dos sinos ao longe
tocam-me sensíveis
e pequenas plumas leves são sopradas
ao longo dos estios.


Um corvo negro,
uma nuvem aflita, meu amor
aflita,
um grito estendido pelos céus
uma menina morta no coração
de Deus,
uma história de fadas
cortada pelo meio
uma raiva de facas
um temporal de medo
um corvo negro, meu amigo
um corvo negro
um gemido de dor ó,
um gemido
e as nuvens aflitas
essas nuvens de seda,
no céu negro de xisto
meu amor,
um grito aflito.

 


 

Copyright ©1991/2004 Maria Henriques.All rights reserved

 

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