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A seta poética

A poesia é uma coisa verde
é uma coisa vermelha
um espirito
que vai e que vem quando quer
e habita
e deixa rasto ou não,
é um sopro
um hálito
uma mão inspirada pelo nome,
é um coração insensato
uma linguagem verde
uma colher
ou se quiserem,
uma faca
e corta
e separa
e depois fica ou não.

 

 

Acontecimento Nocturno


Um cometa luminoso
cheio de nós na cauda
atravessou ontem
o sistema rosa do meu quarto
do outro lado,
as borboletas
do papel de parede
estremeceram
ao vê-lo
e caíram redondas
no chão do meu planeta
como se tivessem sido
roídas
pelo tempo.

 


 

Copyright ©1991/2004 Maria Henriques.All rights reserved

 

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