Me deixando molhar

 

Aos poucos a chuva fina cai em São Paulo. Vejo pelas frestas da janela entreaberta que ela é calma, refrescante, e toca as árvores que tentam tocar o céu, sem espanto.

Verdes de diversos tons me convidam a escancarar a veneziana e me colocam a contemplar este mistério de chuva e sol a borbulhar na tarde.

Pássaros se apressam a procurar abrigo quase entendendo que chove, mas por pouco tempo.

Tempo, ah, tempo, tempo...tantas dimensões a se aprender sobre o passar das horas, das eras, do ínfimo instante, mas me encontro aqui a decifrar a chuva, abrir com vontade minha janela, atrair os pássaros e me deixar molhar.

Momento!

 

(verão de 2003)

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