Entrevista concedida à Revista
Eletrônica AU! - março de 2001

1
– Há quanto tempo vocês estão na cinofilia?
Começamos na Cinofilia
em 1993, participando de exposições com nossos Westies (que
foi nossa primeira raça)
2- Vocês começaram
apresentando Lulu da Pomerânia e depois Pequinês. Como foi
esse interesse pela raça Pequinês?
Em 1996, na Westminster, ficamos
completamente fascinados por um Pequinês – achamos que este era o
cão (não só o pequinês) mais lindo que já
havíamos visto e, por causa dele, resolvemos nos envolver também
com esta raça. Fomos a Inglaterra, seu país de origem, onde
conhecemos o pai, irmãos e irmãs e posteriormente pudemos
adquirir um irmão, um neto e uma neta. Este cão é
ninguém menos que Dreamer (Am. Ch. Taloola Mr Dream Maker For Delwin),
que tivemos a incrível sorte de adquirir de sua proprietária
americana, Pat Harrison, em 1999, quando esta teve, por motivos pessoais,
que desistir da criação. Dreamer foi um grande sucesso na
Inglaterra e nos EUA antes de chegar aqui no Brasil (venceu Best In Show
em grande especializada na Inglaterra, com 138 pequineses presentes e Best
In Show mais vários grupos e Especializadas nos EUA) e aqui repetiu
o sucesso ano passado, onde ganhou 16 Bests In Show nas maiores expos de
8 diferentes estados brasileiros, sagrando-se o 3o Melhor Cão
do País em 2000.
3- O Pequinês no Brasil
ainda corre risco de extinção?
O pequinês foi incrivelmente
popular há cerca de 30 anos atrás aqui no Brasil, popularidade
esta que se compara a do poodle nos últimos anos. Assim como vem
acontecendo com este, a grande procura fez com que muitas pessoas se envolvessem
com a raça objetivando lucro, e esta acabou perdendo suas características
principais, devido a acasalamentos impensados, miscigenação
e problemas de temperamento e conformação decorrentes (ainda
tem-se a impressão de que os pequineses são agressivos, barulhentos
e tem mau cheiro – algo totalmente alheio aos bons exemplares...). Na última
década a raça tornou-se bastante rara aqui no Brasil entretanto,
desde que nos envolvemos, ajudamos a formar alguns pólos de criação
em outras partes do país, introduzindo a raça ou complementando
o plantel de outros criadores. A raça no momento vai muito bem e
o futuro é promissor!
-
Além de vocês,
qual (ais) outros criadores que se empenham na qualidade da raça
em nosso País?
Atualmente temos Adalberto
e Rosalda, do canil Chyld Dog, em Butiá – RS, que obtiveram exemplares
da raça na Holanda, Canadá e nos últimos anos adquiriram
alguns cães de nossa criação, inclusive o único
filho particolor de Dreamer – AleFer`s Dominó, dois cães
de nossa criação ainda nascidos nos EUA – AleFer`s Summer
Temptation – "Batatinha" e AleFer`s Thunder Stormy (ambos já premiados
com Reserva de Best In Show) , etc... Temos também Andrei em Belo
Horizonte, Vera e Sr. Constantino em São Paulo, Leyla em Recife
(que recentemente adquiriu um filhote sensacional – AleFer`s Frenesi),
todos amantes da raça para quem tive o prazer de mandar excelentes
exemplares. Nossos amigos Jean Pascal e Guto, em Porto Alegre, famosos
internacionalmente por seus Whippets (canil Sol Y Sombra) são co-proprietários
de uma belíssima fêmea, sobrinha de Dreamer – AleFer`s Sabotage
– com a qual pretendem iniciar a criação de pequineses. Portanto
acredito que a raça esteja passando por um ressurgimento aqui no
Brasil, com pessoas sérias se envolvendo e exemplares de excelente
qualidade se destacando em exposições. O fato de um pequinês
estar entre os melhores cães do país por três anos
consecutivos (Thumper foi 3o Melhor Cão do País
em 98 e 99 e Dreamer repetiu o feito em 2000) muito nos orgulha. Acho que
o futuro é brilhante para a raça por aqui!
5- Quantos Pequineses
vocês possuem?
Atualmente nosso plantel é
composto de 8 fêmeas e 7 machos.
Entre as fêmeas destacam-se
Summer – campeã americana e Melhor Fêmea na National Specialty
Americana e Westminster em 98, sua irmã Trixie (tbém campeã
americana) e AleFer`s Thunder Alley – Reserve Winners Bitch na Especializada
que antecedeu a National Americana em 99 (aos 10 meses de idade!).
Entre os machos, além
de Dreamer, podemos destacar Thumper (campeão americano Multi Ganhador
de Grupos nos EUA) – que ganhou 31 Best In Shows em 98 e 99 aqui no Brasil,
Thunder (macho preto campeão americano Multi Ganhador
de Grupos e Best In Specialty
Show nos EUA), Mike (irmão de Dreamer, cão # 5 da África
do Sul em 96 e ganhador de BIS), e o recém adquirido Am. Ch. Singlewell
Ba-Loo, também nascido na Inglaterra (assim como Dreamer e Mike)
que vem complementar nosso plantel.
Nossa nova estrela é
o filho de Dreamer, AleFer`s Pekenic, ganhador de Mini BIS na Top Quality
do Brasil Kennel Club em 2000 e que acaba de vencer a classe Bred By Exibitor
na National Specialty Americana, fevereiro de 2001!
6 – Na sua opinião
qual foi o Melhor Pequinês que vocês já viram ou tiveram
notícias? Pode ser nacional ou importado.
Dreamer sem dúvida nenhuma!
Já vimos a raça ser julgada na Inglaterra, Europa Continental
e Estados Unidos (além de outros países menos significativos
em termos de qualidade e número de exemplares) e posso afirmar que
o melhor que já vimos é Dreamer. Sempre achamos isto muito
antes de sequer sonharmos em obtê-lo; para nós Dreamer representa
o absoluto ideal de tipo, conformação e temperamento. Além
de Dreamer devo dizer que o último vencedor da raça na Westminster
– Taeplace Monet – que também foi o cão número 1 de
todas as raças no Canadá em 2000 também nos agrada
muitíssimo.
7- Pequinês americano
x Pequinês inglês. Quais as diferenças?
Se falarmos em termos de padrão
– e o que seguimos é o inglês (país patrono da raça
na FCI) – há sim algumas diferenças, notadamente tamanho
– o padrão inglês diz que o ideal não deve ultrapassar
5 kg (machos) e 5,5 kg (fêmeas) enquanto o americano estabelece o
limite em 7 kg, considerando qualquer peso abaixo deste aceitável
(e desqualificando os que o excederem). Há ainda outros detalhes
mas, na realidade, não se nota diferenças entre os cães
apresentados na Inglaterra e nos EUA, pois o centro da criação
mundial ainda é a primeira e os americanos ainda importam muito
do Reino Unido ( e os juízes das exposições especializadas
mais importantes nos EUA são criadores ingleses convidados).
8- Atualmente qual o país
que melhor cria a raça?
Sem dúvida a Inglaterra,
mas mesmo assim a raça está muito bem representada internacionalmente,
basta pensar que o ganhador da National dos EUA ano passado foi um cão
canadense e o deste ano um cão holandês (ambos de linhagem
inglesa).
9- Vocês mesmos apresentam
seus cães. Vocês utilizam handler de vez enquando?
Eventualmente utilizamos handlers
sim. Vania Breim é responsável pelo treinamento da maioria
de nossos pomerânias e Marcelo Véras apresentou Thumper brilhantemente
no segundo semestre de 99, já que estávamos com 3 ninhadas
em casa! De qualquer forma tenho o maior prazer em apresentar meus cães
e acredito que a relação de cumplicidade e amor de um cão
e seu dono em pista é quase insubstituível. Sempre observamos
e aprendemos com os profissionais e apresentamos nossos cães da
melhor forma que podemos. Ter uma atitude profissional de apresentação,
bons cães em excelente estado quase sempre se traduz em sucesso
em pista, tanto nacionais quanto internacionais. Na minha opinião,
se você e seu cão se divertem juntos em pista, então
tente aprender tudo o que você precisa para você mesmo apresentá-lo
da melhor forma possível, se, entretanto, você fica muito
nervoso apresentando, ou não se sente capaz, recorra a um handler.
E, claro, se seu cão não gosta de exposições,
deixe-o em casa, pois não há nada pior que ver um cão
infeliz em pista.
10- Cite criadores ou
personagem que tiveram influências na sua vida de criador
As influências foram
muitas. Nos últimos anos, após muito estudo, desenvolvemos
um plano de criação bastante pessoal, levando em conta o
fenótipo desejado e os genótipos disponíveis, buscando
sempre uma criação menos intuitiva e mais científica.
Você precisa de muito mais que um macho e uma fêmea para se
considerar um criador. Infelizmente são poucas as pessoas que se
dedicam a aprimoração constante do plantel, aquisição
de linhas de sangue condizentes, utilização de inbreeding
e linebreeding para fixar características desejadas, estudo aprofundado
de pedigrees, etc... Nós temos acasalamentos programados para os
próximos 5 anos – sabemos onde queremos chegar e o que devemos fazer
para tentar alcançar nossos objetivos...
11- O que falta na cinofilia
nacional?.
Temos grandes cães em
nosso país, cães que podem contribuir para suas raças
a nível mundial e temos handlers que estão entre os melhores
do mundo. Acho que o fato de contarmos basicamente com juízes all-rounders
faz com que, algumas vezes, raças menos representadas numericamente
sejam prejudicadas no julgamento pela falta de contato de nossos juízes
com as mesmas. Mas temos que compreender que este problema não é
exclusivo nosso mas de todas as cinofilias em desenvolvimento, mesmo em
países mais evoluídos economicamente, que devido ao pouco
número de cães em expos, tem que recorrer a juízes
não especialistas. É nossa obrigação enquanto
criadores orientar os juízes sobre as particularidades das raças
que criamos. É um trabalho longo e difícil muitas vezes,
mas gratificante. Atualmente os juízes brasileiros tocam melhor,
compreendem melhor e por consequência julgam melhor pequineses do
que quando começamos a expor a raça há alguns anos
atrás. Ainda há problemas, claro, como juízes que
insistem em fazer um pequinês andar muito num calor infernal, e,
claro, quase todos insistem em ver os dentes (no pequinês não
se abre a boca, isso prejudica a respiração pela conformação
da cabeça, sendo extremamente desagradável para o cão
- o padrão, propositadamente, n&ão cita a mordedura, visando
evitar essa prática...).
Outra crítica é
que por aqui ainda se importa muito para ganhar exposições
e não objetivando a criação. Portanto quem importa
geralmente não está preocupado com o potencial genético
do exemplar adquirido e, muitas vezes, nem sequer cria ou tem qualquer
envolvimento com aquela raça. Por outro lado acho que temos alguns
criadores que fizeram sim importações conscientes, trazendo
grandes cães que não só marcaram nossa cinofilia pelo
destaque que obtiveram em exposições como também pela
influência que tiveram em suas raças - acho que este é
o caminho.
12 – Qual o Panorama da
raça Pequinês no exterior?
A raça vai muito bem
no exterior, tanto em termos de criação quanto em sucesso
em pistas. Na Holanda há dois anos um pequinês foi o cão
#1 do país, no Canadá o mesmo aconteceu ano passado e há
exemplares sendo premiados em vários outros países do mundo,
inclusive, claro, na Inglaterra e EUA, onde exemplares da raça foram
BIS em Westminster por 3 vezes!
13 – Depois dos Pequineses,
como ficaram os Pomerânias? Vocês continuam criando e expondo?
Sim, continuamos apresentando
e criando Pomerânias, mas numa escala menor que a dos Pequineses,
pelas próprias características da raça. Ano passado
fechamos o Campeonato Americano de 2 exemplares – um sendo AleFer`s Flash
Gordon, o único Pomerânia de criação nacional
a ser Campeão Americano. Flash fechou o campeonato no fim de semana
da National Specialty Americana, competindo com pomerânias de todos
os EUA, conduzido por nós, criadores/proprietários! Flash
e Joker também ganharam Best In Show no Brasil ano passado. Como
normalmente só eu apresento é difícil coordenar duas
raças na eventualidade de ambas ganharem seus grupos, por isso optamos
por priorizar a apresentação de pequineses mas sem de forma
alguma desistir de pomerânias. Inclusive estamos investindo em novas
aquisições nesta raça necessárias ao nosso
plano de criação.
14 – Como está
a raça Pomerânia no Brasil na opinião de vocês?
Praticamente inexistente. Além
de nós temos Luiz e Ângelo (canil Carlang) no Sul do país
e Márcia em Recife. Esta é uma raça muito difícil,
principalmente pela qualidade do plantel não estar boa internacionalmente,
o que dificulta ainda mais boas importações. Exemplares apresentados
em nosso país, alguns inclusive ganhadores de importantes premiações
em exposições são apenas medíocres. O presente
desta raça não é bom e o futuro, na minha opinião,
incerto. A grande dificuldade na criação nos impede de contribuir
para o plantel de outros criadores interessados. Márcia tem dois
exemplares de nossa criação mas é a única.
Recentemente Luiz e Ângelo estão realizando excelentes importações
e nos mandaram duas fêmeas de excelente qualidade.
15 – Quais os planos futuros
do ALEFER?
Nosso objetivo é prosseguir
criando e expondo exemplares de nível internacional que possam competir
e ganhar nas melhores pistas do mundo e serem excelentes companheiros em
casa – de nada adianta beleza sem temperamento. Queremos prosseguir com
o resgate da raça Pequinês no país e tentar garantir
que a mesma fique em mãos de pessoas responsáveis – não
buscamos uma nova popularização, mas sim garantir um lugar
de destaque para a mais fabulosa e antiga raça de companhia. Nossos
cães não vivem em gaiolas, mas estão sempre conosco
socializando, brincando, enfim, vivendo. Não criamos plantas mas
sim animais tão sociáveis quanto seres humanos e que precisam
não só de cuidados mas de convivência, amor e alegria.
O resultado disto pode ser visto tanto em pista quanto em casa e é
um imenso prazer para nós conviver com seres tão especiais.
Pretendemos também, conforme já dito, incrementar nossa criação
de pomerânias com algumas novas aquisições.
16 –Vocês já
pensaram em escrever um livro sobre Pequinês no Brasil?
Ah, um livro sobre a raça...
Acho que daqui a alguns anos poderemos pensar nisso, mas no momento ainda
estamos vivendo nossa história...
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