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Agosto de 2001

 

 Bibliografia
Básica do Ceticismo

Esta seção traz livros escritos pelos maiores opositores da pseudociência, como Gardner, Randi, Sagan, Asimov, Dawkins e outros. Constituem a leitura essencial para qualquer um que esteja interessado no assunto.

Aqui estão listados livros publicados em português, livros em inglês estão listados na versão em inglês desta página. Veja também livros de Charles Darwin, livros sobre evolução e em breve livros ligados a biologia. 

A livraria portuguesa Gradiva na seção Ciência Aberta, traz diversos livros sobre divulgação da ciência, inclusive livros não publicados no Brasil, como O Relojoeiro Cego de Richard Dawkins, entre outros títulos e autores. Alguns livros trazem o primeiro capítulo para ser lido gratuitamente no site.

Nota: Os links levam ao site do Amazon.com, onde os livros podem ser adquiridos em inglês, os livros disponíveis em português estão indicados nos comentários. Alguns ainda estão disponíveis em livrarias. Outros também podem ser encontrado em livrarias virtuais, sebos ou bibliotecas públicas. Os preço em reais são aproximados e estão indicados apenas como sugestão. 

A Darwin Magazine é associada a Livraria Cultura, cada livro adquirido por um de nossos links, reverte em uma comissão que nos auxilia na manutenção do site. 

O Mundo Assombrado pelos DemôniosO Mundo Assombrado Pelos Demônios:
A Ciência Vista Como Uma Vela no Escuro

Carl Sagan (1934 - 1996)
Preço: R$ 30,00
Companhia das Letras, 1996, 442 páginas.

Numa defesa apaixonada da racionalidade, Sagan que nunca poupou esforços contra o analfabetismo científico, mostra que a crença em argumentos de autoridade e o declínio da compreensão dos métodos da ciência prejudicam a capacidade de escolha política e põem em risco os valores da democracia. Preocupado com a escuridão que parece tomar conta do mundo, onde explicações pseudocientíficas e místicas ocupam cada vez mais espaço nos meios de comunicação, Sagan acende a vela do conhecimento para iluminar os dias de hoje e recuperar os valores da racionalidade: em meio a anjos, astrólogos e médiuns, fundamentalismos religiosos e filosofias alternativas, as leis da natureza continuam as mesmas em qualquer parte do universo. O Mundo Assombrado Pelos Demônios é uma reafirmação plena do papel da ciência como a nossa melhor ferramenta de sobrevivência. Referências e índice. 

Bilhões e bilhões: Reflexões sobre Vida
e Morte na Virada do Milênio

Carl Sagan (1934 - 1996)
Companhia das Letras
1998, 265 páginas. 
ISBN: 85-7164-764-X

O astrônomo Carl Sagan foi, provavelmente, o mais influente divulgador da ciência de todos os tempos. Centenas de milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo assistiram à sua série de TV Cosmos. Nos mais de trinta livros que editou e escreveu, sozinho ou em colaboração, manteve-se fiel ao compromisso do cientista: representar a realidade como ela se mostra quando submetida ao mais rigoroso escrutínio. O que, vale dizer, não deixa lugar para o misticismo, a religiosidade, as soluções que renunciam à compreensão do mundo em favor de especulações sem base na experiência sensível. 

Este é o último livro de Sagan, publicado postumamente pela escritora Ann Druyan, sua mulher e colaboradora. Traz dezenove artigos dedicados a temas variados. Une-os o fio da racionalidade no exame das coisas do mundo. Por exemplo: por que se deve ser a favor do direito de decisão da mulher em relação ao aborto; por que os problemas ambientais devem ser abordados a partir de uma plataforma de máxima inteligibilidade a respeito da ciência, da tecnologia e de seu papel social, e não com base em pressupostos emocionais muitas vezes resultantes da falta de informação. Sagan fala também sobre a possibilidade de haver vida em Marte, sobre o aquecimento global e sobre sua impressionante luta contra a doença que acabou por vencê-lo. 

O tema que une os artigos reunidos no livro é, enfim, a vida e a morte: do planeta, do Universo, do ser humano coletivo e individual. Trata-se da última obra de um pensador admirável, que acreditava na capacidade do homem de tornar o mundo melhor e que, portanto, tinha um profundo comprometimento com a felicidade. 

"Com sua revelações sobre um pequenino mundo embelezado pela música e pelo amor, a nave Voyager já saiu do sistema solar e se dirige ao mar aberto do espaço interestelar. A uma velocidade de 70 mil quilômetros por hora, projeta-se em direção às estrelas e a um destino com o qual só podemos sonhar. Estou cercada por pacotes do correio, cartas de pessoas de todo o planeta que lamentam a perda de Carl. Muitos lhe dão o crédito por tê-los despertado. Alguns dizem que o exemplo de Carl os inspirou a trabalhar pela ciência e pela razão contra as forças da superstição e do fundamentalismo. Esses pensamentos me consolam e me resgatam de minha dor. Permitem que eu sinta, sem recorrer ao sobrenatural que Carl vive." (Ann Druyan, mulher de Carl Sagan no "Epílogo" deste livro)


O Romance da CiênciaO Romance da Ciência (Broca's Brain)
Carl Sagan
345 páginas
Francisco Alves Editora, 1989.

"Vivemos em uma época extraordinária", escreveu Carl Sagan. "Desde que existem seres humanos, temos formulado perguntas profundas e fundamentais sobre a origem da consciência, a vida em nosso planeta, a formação da Terra, as origens do Sol, a possibilidade de seres inteligentes em outros planetas; e também a maior pergunta entre todas, o advento, a natureza e o destino final do universo. Durante o último instante da história humana, estas proposições têm sido uma província exclusiva dos filósofos e poetas, falsos profetas e teólogos. Mas hoje, como resultado do conhecimento dolorosamente extraído da natureza ao longo de gerações de pensamento, observação e experimento cuidadosos encontramo-nos no limiar de vislumbrarmos, pelo menos, respostas preliminares a muitas delas."

Este livro se preocupa com estas respostas preliminares. Um dos mais eloqüentes oradores de ciência para leigos, Dr. Sagan, possui a rara capacidade de levar o leitor a participar do seu entusiasmo e excitação quanto ao que foi descoberto nos últimos anos sobre o "vasto universo do qual somos parte como um grão de areia em um oceano cósmico", e mais particularmente sobre o que aprendemos sobre o nosso sistema solar. Este é um relato maravilhosamente lúcido das descobertas astronômicas recentes ligadas a outras sobre a mente humana, exploradas tão dramaticamente no seu livro que recebeu o Prêmio Pulitzer -- Os Dragões do Éden, e as quais utilizou aqui como viga-mestre contra os antigos conceitos filosóficos e teológicos.

(veja outros livros de Sagan)

Desvendando o Arco-ÍrisDesvendando o Arco-Íris
Ciência, ilusão e encantamento

Richard Dawkins
Preço: R$ 32,00
416 páginas
Companhia das Letras, 2000.

Para a maioria das pessoas, o racionalismo científico representa o oposto do encanto, da poesia e do mistério advindos da contemplação brilhante, Richard Dawkins refuta essa noção tão amplamente disseminada, apresentando a ciência não só como antídoto para o torpor cotidiano, mas como veículo para aprofundar a admiração reverente pelos fenômenos naturais. Filósofo da ciência e um dos grandes biólogos da atualidade, Dawkins investe contra as pseudociências, sem obscurantistas, e explica de que maneira o mau uso de metáforas na prosa científica pode conduzir o grande público a uma compreensão errônea da ciência. E mostra, na prática, como se faz "poesia" científica -- a arte na qual é mestre.

Quando Richard Dawkins leu O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, afirmou que aquele era um livro que gostaria de ter escrito. Neste Desvendando o arco-íris ele dá prosseguimento à cruzada contra o obscurantismos de todo gênero. Inspirando-se num poema de Keats, para quem Newton havia destruído o encanto do arco-íris ao decompô-lo no prisma, Dawkins mostra ao leitor como uma compreensão verdadeiramente profunda da ciência pode constituir não uma inimiga, mas uma aliada dos poetas em sua busca de temas e inspiração. Explicar racionalmente um fenômeno, afirma, não significa, em absoluto, despi-lo de sua beleza e de seu fascínio.

Depois de apresentar os processos que levaram à dissecção do arco-íris em luz de diferentes comprimentos de onda, à teoria do eletromagnetismo e à teoria da relatividade especial, Dakwins investe com as armas do pensamento estatístico e da teoria das probabilidades contra um tipo comum de charlatanismo: aquele que, partindo do pressuposto de que a ciência é arrogante e não admite a própria arrogância, aponta um dedo acusador aos cientistas e, com a outra mão, realiza seus truques de prestidigitação para enfiar a mão no bolso dos crédulos.

Do tema da mistificação circense dos ocultistas de plantão o autor passa ao tema da mistificação na ciência, denunciando os efeitos danosos que a "má poesia" científica (como ele a chama) exerce não apenas sobre o público em geral, mas também nos meios acadêmicos. Nos últimos capítulos, Dakwins retoma e faz avançar seus temas prediletos: explica de que modo a pressão da seleção natural se dá no nível do gene, e não do organismo individual; como o DNA representa uma descrição codificada dos hábitos ancestrais da espécie; de que maneira a mente ordena o mundo sensível segundo padrões em grande parte predeterminados; e como a linguagem e os "genes culturais" -- os memes -- podem ter disparado o gatilho de uma coevolução auto-alimentadora em nossa espécie, fazendo de nós o que somos hoje.

Leia a entrevista da Dawkins

CapaO GENE EGOÍSTA
Richard Dawkins
Preço R$ 15,00
230 páginas
Itatiaia/EDUSP, 1979.

Há quatro bilhões de anos atrás surgiram no mar, pela primeira vez, moléculas capazes de fazerem cópias de si próprias. Que fim tiveram estas antigas copiadoras? Elas não foram extintas, e hoje são as donas da arte da sobrevivência. Não devemos imaginá-las, porém flutuando ao léu no mar, pois há muito tempo abandonaram seus hábitos errantes. Agora formam vastas e fervilhantes colônias bem abrigadas dentro de gigantescos e desajeitados robôs, de onde manipulam o mundo exterior por controle remoto. Elas estão em todos nós; foram elas que criaram nosso corpo e nossa mente, e sua preservação é a única razão de nossa existência. Foi muito longo o caminho percorrido por essas copiadoras. Agora elas são conhecidas pelo nome de gene, e somos nós as máquinas que possibilitam a sua sobrevivência. 

É dessa maneira que Dawkins nos apresenta a nós próprios como realmente somos, isto é, máquinas de sobrevivência, descartáveis, para os nossos genes imortais. O homem é uma máquina para os genes, um veículo-robô, programado para preservar os seus genes egoístas. 

O mundo dessa máquina dos genes é um mundo de feroz competição, de exploração impiedosa, de falsidade. Pode-se ver isso não apenas nas agressões entre rivais, mas também nas lutas, mais sutis, entre as gerações e entre os sexos. Mas... e os conhecidos exemplos de aparente altruísmo que encontramos na Natureza, de mães que se matam de trabalhar para sustentar os filhos, de pequenos pássaros que arriscam a vida para avisar sua ninhada da aproximação de um gavião? Richard Dawkins mostra que tudo isso é resultado do egoísmo dos genes e reduz a pó a cômoda teoria aceita por tão longo tempo e popularizada por Konrad Lorenz e Robert Ardrey, segundo a qual os animais agem sempre "para o bem da espécie". Longe de constituir um árido exercício acadêmico, este livro prende a atenção do leitor como uma história de suspense e é cheio de casos fascinantes, como por exemplo o dos peixes que fazem fila para limpar os dentes e se contêm para não engolir o minúsculo dentista; ou o das formigas que mantêm escravos e fazem plantações de fungos; ou ainda o das abelhas camicases, que picam os ladrões de mel da comunidade mesmo sabendo que vão morrer. Mas a "picada" mais inesperada deste inesperado livro é a que é dada em sua cauda, isto é, em seu último capítulo (que deu origem à memética), que nos apresenta uma nova e surpreendente maneira de vermos a nós próprios e à nossa cultura sem par: somos os únicos animais capazes de perceber os secretos desígnios dos genes egoístas e de nos rebelar contra eles.

 

A Escalada do Monte Improvável:
Uma defesa da teoria da evolução
Richard Dawkins
Preço: R$ 28,00
Companhia das Letras
1998, 372 páginas
ISBN: 85-7164-776-3

Por consenso generalizado, Richard Dawkins é o mais influente cientista da evolução contemporâneo. Não apenas isso: tem se distinguindo por sua eficácia na transmissão, para o público leigo, das idéias centrais dessa teoria fundamental. A sua é uma voz segura e sensata em meio às ondas de irracionalismo criacionista que às vezes ameaçam o darwinismo. A teoria da evolução de Charles Darwin constitui um dos marcos do pensamento moderno sobre a posição do homem no Universo. Ao oferecer uma explicação racional para a presença, na Terra, de abelhas e elefantes, minhocas e jaguatiricas, roseiras e jacarandás, e ao ligar os organismos vivos a seres cujos restos são preservados na forma de fósseis, Darwin deu um passo gigantesco em direção à compreensão dos fenômenos da vida, afirmando que as espécies de plantas e animais transformam-se com a passagem do tempo. 

O homem é apenas um animal, decerto diferenciado pela inteligência, mas ainda assim um animal, que chegou à sua forma atual ao evoluir de ancestrais mais primitivos. Desde cedo essa concepção do ser humano ofendeu a mentalidade religiosa. Darwin representava uma ameaça mortal a esse gênero de perspectiva, e por isso foi combatido. 

Nos últimos anos a constatação de que a condição humana não pode ser conhecida apenas por meio do conhecimento da natureza tem levado a uma desilusão com a ciência e, com isso, a uma reação renovada contra a teoria da evolução. Um dos argumentos do fundamentalismo religioso é o de que a evolução seria demasiadamente improvável para que pudesse acontecer.

Em a Escalada do Monte Improvável, Dawkins exibe a falácia desse argumento e, no processo, oferece um fascinante retrato do processo evolutivo em diversas espécies animais -- incluindo algumas criadas em computador. 

O RIO QUE SAÍA DO ÉDEN
Uma visão darwiniana da vida

Richard Dawkins
Rocco, 1996. 150 páginas. ISBN: 85-325-0605-4

Como começou a explosão da bomba de replicação que chamamos "vida" e para onde ela está nos levando? Com perspicácia e habilidade, Richard Dawkins enfrenta este mistério antigo. Dawkins foi chamado pelo Daily Telegraph de Londres de "o mais brilhante defensor contemporâneo da teoria da evolução de Charles Darwin". Mais do que qualquer outro cientista moderno, deu credibilidade à idéia de que os seres humanos -- na verdade todas as coisas vivas -- são meros veículos de informação, portadores de genes cujo objetivo primário é a propagação do próprio DNA. Neste livro, Dawkins explica a evolução como um rio de genes, que se encontram, competem, unem-se e algumas vezes separam-se para formar uma nova espécie. 

Com histórias envolventes sobre o mundo das abelhas e das orquídeas, olhos "projetados" e ancestrais humanos, O rio que saía do Éden responde a questões aflitivas: por que as árvores da floresta são altas -- não seria mais econômico para sua sobrevivência se todas fossem baixas? Por que a razão sexual é de 50:50 quando um número relativamente pequeno de machos são necessários para fertilizar muitas fêmeas? Por que herdamos genes que provocam doenças fatais?

Ao destacar o papel crucial do gradualismo na evolução, contesta os que argumentam que cada elemento deve funcionar perfeitamente para que o sistema todo não entre em colapso. Mas o livro tem um objetivo maior: ilustrar a natureza do raciocínio científico, expondo as dificuldades com que os cientistas deparam ao explicar a vida. Aprendemos que nossas hipóteses, intuições, mitos de origem e modismos intelectuais e culturais podem muitas vezes levar-nos por caminhos errados.

Richard Dawkins nasceu em Nairobi em 1941 e educou-se em Oxford. Lecionou zoologia nas universidades da Califórnia e de Oxford. Em 1995 ocupou a então recentemente criada cátedra de Compreensão Pública da Ciência, também em Oxford. É autor também do aclamado best-seller O Relojoeiro Cego (1986, edição portuguesa), que ganhou o Royal Society of Literatura Award e o Los Angeles Times Book Prize in Scince

Veja também:

Bíblia: Verdade e Ficção
Robin Lane Fox
Companhia das Letras
1993, 430 páginas.

A Bíblia dificilmente será a mesma para quem ler este livro fascinante de Robin Lane Fox. Pois nele o autor recorre a todo o seu vasto conhecimento de História Antiga e, num estilo elegante que torna acessíveis ao leitor as mais intricadas questões dos especialistas, separa o joio do trigo, ou seja, a ficção da realidade nas Sagradas Escrituras. Bíblia: verdade ou ficção discute a autoria dos diversos livros bíblicos, as interpolações que sofreram e a sua transmissão ao longo dos séculos, assim como submete vários dos seus relatos à prova da veracidade histórica. Crentes e ateístas, todos aqueles que se interessam em saber o que é verdadeiro e o que é falso nas Escrituras, encontrarão aqui as respostas às suas indagações.

Este livro se inicia com a pergunta de Pilatos a Jesus, no Evangelho Segundo São João, quando o filho de Deus lhe diz ter vindo ao mundo para dar testemunho da verdade: "Que é a verdade?" Pilatos não obtém resposta, e é essa resposta que Robin Lane Fox procura dar em Bíblia: verdade e ficção, ao lançar-se numa busca fascinante da verdade histórica no Novo e Antigo Testamentos. A tarefa não é nada fácil, pois a Bíblia, tal como a conhecemos hoje, foi escrita e sofreu interpolações ao longo dos séculos, e, ao contrário do que pensam os que a vêem como uma obra unitária, seus vários livros freqüentemente contradizem uns aos outros, isso quando as contradições não estão presentes num mesmo livro, como é o caso dos dois relatos da Criação no Gênesis.

Dois critérios básicos servem ao autor para a aferição da verdade na Bíblia: a teoria da coerência, segundo a qual a verdade consiste na coerência com um sistema geral de crenças, e a teoria da correspondência, segundo a qual ela consiste na correspondência aos fatos. Esses dois critérios nortearão as investigações nas duas partes centrais do livro. Inicialmente, o autor examina a questão da autoria dos diversos textos bíblicos, das interpolações e da transmissão ao longo do tempo até a formação do cânone, para concluir que a reunião desses textos num único volume não os fez abandonar suas diferenças. Porém, se escolhermos entre as afirmações contraditórias, chegaremos a algumas que, em princípio, são coerentes. Este critério, no entanto, é insuficiente. Para comprovar-se a veracidade dessas afirmações é necessário recorrer ao segundo critério: o da correspondência aos fatos. Aqui o autor toma vários episódios das Sagradas Escrituras e examina-os à luz da arqueologia, das peregrinações aos locais bíblicos e, sobretudo, de outros textos da época. A comparação entre os relatos do julgamento de Cristo contidos nos quatro evangelhos é um dos momentos altos dessa parte do livro.

Ao contrário dos que acreditam na infalibilidade das Escrituras -- como os fundamentalistas, a cujas teorias é dedicado um dos primeiros capítulos --, Bíblia: verdade e ficção mostra que elas são muitas vezes falsas, atribuindo, inclusive, a certas pessoas coisas que elas jamais disseram. Afinal, como assinala Robin Lane Fox, a frase da Segunda Epístola a Timóteo de que os fundamentalistas se utilizam para ancorar uma visão literal das narrativas bíblicas ("Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir") pertence a um autor que mentiu sobre sua identidade.

Robin Lane Fox nasceu em 1946 na Inglaterra e é professor de História Antiga no New College, Oxford. Ganhador do James Tait Black Memorial Prize, ele é autor, entre outros livros, de Alexander the Great (1973) e Pagan and Christians (1982).

 

capa da edição em inglêsManias e Crendices em Nome da Ciência
Martin Gardner
IBRASA
1960, 314 páginas.

Ensaio atemporal que deve ser lido por todos -- Apesar de escrito na década de 1950, este livro de Martin Gardner é um dos clássicos da ciência. Gardner se atraca, tanto seriamente como com humor, com as pseudociências de seus dias, incluindo disco-voadores, dianética, cultos médicos, orgonomia, histórias da Atlântida, cientologia, quiroprática, "terapias de vidas passadas", astrologia e muito mais. Dos esforços de Trofim Lysenko na Rússia para derrubar a teoria da evolução de Darwin pela teoria das características adquiridas de Lamarck, ao hilário capítulo sobre a filosofia de Charles Fort de "aceitar tudo mas não acreditar em nada" nos Estados Unidos, Gardner traça um retrato maravilhoso que fará o leitor rodar os olhos e sorrir da credulidade de algumas pessoas bem como ficará chocado em saber como alguns vão longe na procura e crença naquilo que não existe. Uma das coisas que mais me intrigou ao ler este livro é que parece estar sendo endereçado as pseudociências/anticiências de nossos dias ao invés de décadas passadas. Em resumo, seus ensaios trarão a mente do leitor a um nível mais acurado de pensamento cético quando se depara com as alegações atuais que se assemelham com as do passado. O livro de Carl Sagan O Mundo Assombrado pelos Demônios é seqüência perfeita para este livro de Gardner não apenas por desmascarar as alegações falsas da pseudociência, mas também por educar o leitor sobre aquilo que é a ciência real, enquanto mantêm uma aptidão para se maravilhar. (veja mais livros de Gardner)

Contracapa da edição brasileira de 1960: "Contrastando com os cientistas, pelo menos em sua maioria os pseudocientistas são bulhentos e por isso freqüentemente aparecem no noticiário dos jornais, assim como nas estações de rádio e televisão, quando não nas vitrinas das livrarias, procurando impor teorias, de aspecto geralmente sensacional, ao grande público. Muitos afirmam haver descoberto novidades extraordinárias que, se realizadas, revolucionariam o mundo, mas que -- na opinião deles -- são sistematicamente sabotadas por várias forças organizadas. A própria ciência, que eles chamam de oficial, não passaria de uma espécie de sociedade secreta interessada em combate-los. Outros contentam-se em revolucionar as teorias clássicas, e isto partindo de argumentos não raro pueris, de quem sequer penetrou, por deficiência de preparo, o próprio sentido delas. Tornam-se outros propagandistas de determinados remédios que tentam por todos os meios aplicar, enfrentando a vigilância dos órgãos de controle oficiais. Reservam-se outros para o mundo das mais altas especulações e baseados apenas na imaginação, porém com um fraseado a que dão aspecto científico, pretendem desmontar com cutiladas o próprio edifício de ciência. 

Os pseudocientistas formam legião em todo o mundo e costumam atrair muita simpatia do público, pois não raro se apresentam como gênios incompreendidos e perseguidos. Martin Gardner procura expor algumas -- apenas algumas -- das muitas atividades que a seu ver se enquadrariam no rol da pseudociência, que não é necessariamente manifestação de má fé ou determinado embuste, porém, não raro, resultado de um complicado processo mental que é interessante estudar. Muitos discutirão o livro de Gardner e até mesmo entre os verdadeiros cientistas alguns não seriam tão exigentes ou severos como ele no julgamento de algumas das teorias apresentadas. Retirariam do quadro de pseudocientistas algumas das pessoas como tal apontadas por Martin Gardner. É uma questão de ponto de vista. O importante é que o livro de Gardner, sincero e plenamente documentado, abrirá os olhos de muita gente para uma série de despautérios e falácias que, em nome da Ciência, lhe querem alguns maníacos impor."

"Este livro, interessante e mordaz, examina as várias manias e falácias, assim como estranhos fanatismos e incríveis panacéias que, vez por outra, aparecem sob o disfarce de ciência. Não se trata de uma coleção de anedotas, mas sim de uma análise imparcial e argumentada de teorias excêntricas e, assim, Manias e Crendices é uma obra única no gênero no reconhecimento das conseqüências científicas, filosóficas e sociológico-psicológicas da onda de teorias pseudocientíficas que periodicamente envolvem o mundo. 

Nesta segunda edição revista da obra primitivamente intitulada Em Nome da Ciência, Martin Gardner adicionou matéria nova e recente a um relato já impressionante de centenas de extravagâncias sistematizadas. Neste livro são discutidos os fanáticos da Terra oca, como Symmes; Velikovsky e planetas errantes; Hörbiger, Bellamy e a teoria das luas múltiplas; Charles Fort e a Sociedade Fortiana; rabdomancia e outros estranhos métodos de descobrir águas minerais e petróleo. São também focalizados assuntos tais como 'naturopatia', e diagnose pela íris, a terapia de zona e excentricidades alimentícias, A.Korzybsky e Semântica Geral. É também incluído nesta edição um novo aspecto do caso de Bridey Murphy, assim como uma nova seção de material bibliográfico de referência."

Prefácio

"POUCOS LIVROS têm sido publicados sobre os pseudocientistas modernos e seus conceitos. Encontrei apenas duas obras genéricas de pesquisa que marcaram um rumo ou objetivaram matéria interessante -- Foibles and Fallacies of Science, 1924, de Daniel Hering, e The Story of Human Error, 1936, editado por Joseph Jastrow.

David Starr Jordan, o primeiro presidente de Stanford e conceituada autoridade em peixes escreveu em 1927 um livro chamado The Higher Foolishness. Nessa obra, cria ele o termo "ciosofia" (significando "ciência da sombra") para apoiar o que ele chamava de "ignorância sistematizada" do pseudocientista. O livro é irritante porque, não obstante mencione Jordan os títulos de dezenas de obras excêntricas, das quais extrai citações extensas, raramente, porém, indica os nomes dos autores. 

A maior parte da minha investigação foi feita em Nova York na Biblioteca Pública, que possui uma magnífica coleção de literatura excêntrica. Infelizmente, apenas uma insignificante parcela é identificada como tal (sob títulos tais como "Ciência - curiosidades" -- "Impostores" -- "Charlatões" -- "Pessoas Excêntricas" -- etc.). Conseqüentemente, houve necessidade de exumação por meio de métodos tortuosos, obscuros e até intuitivos. (...)" Martin Gardner.

Prefácio à Segunda Edição

"A PRIMEIRA EDIÇÃO deste livro originou muitas e curiosas cartas escritas pelos leitores. As cartas mais violentas vieram de partidários de Reich, furiosos porque o livro considerou a orgonomia lado a lado com fanatismo tão grosseiros (para eles) como a dianética. Os adeptos da dianética fizeram o mesmo com o orgonomia. Ouvi de homeopatas que teriam ficado insultados por se encontrarem em companhia de tais charlatanices, como a osteopatia e a quiroprática, e mesmo um profissional da quiroprática de Kentucky manifestou sua "compaixão" por mim por haver voltado as costas à maior mercê de Deus para a humanidade sofredora. Muitos admiradores do Dr. Bates favoreceram-me com cartas tão mal escritas que me deixaram a impressão de que os seus remetentes necessitam urgentemente de óculos bem fortes. De um modo bem singular, a maior parte desses correspondentes refuta apenas um único capítulo do livro, achando os outros excelentes. 

Alguns leitores, porém, gostaram do livro por inteiro e foram bem amáveis ao chamar minha atenção para erros ocasionais e sugerindo novos casos que seriam dignos de menção, se o livro viesse a sofrer uma revisão. (...)" Martin Gardner.

ÍNDICE

  1. Em Nome da Ciência
  2. Plana e Oca
  3. Monstros da Destruição
  4. Os Fortianos
  5. Discos Voadores
  6. Ziguezagues
  7. Abaixo Einstein!
  8. Sir Isaac Babson
  9. Rabdomancia e Engenhocas Mágicas
  10. Sob o Microscópio
  11. Geologia versus Gênese
  12. Lysenkismo
  13. Apologistas do Ódio
  14. Atlântida e Lemúria
  15. A Grande Pirâmide
  16. Manias e Extravagâncias Médicas
  17. Médicos Charlatães
  18. Dietas Excêntricas
  19. Jogue Fora os Seus Óculos!
  20. Teorias Sexuais Excêntricas
  21. Orgonomia
  22. Dianética
  23. Semântica Geral etc.
  24. Das Bossas à Grafologia
  25. ESP e PK
  26. O Caso de Bridey Murphy e Outros Assuntos
    Apêndices e Notas

O Animal MoralO Animal Moral
Por que somos como somos: A nova ciência da psciologia evolucionista

Robert Wright
Editora Campus
1996, 416 páginas.
ISBN=85-352-0040-1

"Esta obra nos desafia a nos examinar, a despeito do que possamos encontrar sob a lente esclarecedora da psicologia evolucionista. Este livro de extrema lucidez tem um contexto apropriado: a vida e obra de Charles Darwin."
Comentários e indicação:
João Carlos Coutinho

De vez em quando o mundo das idéias é abalado por aquilo que o filósofo da ciência, Thomas Khun, tornou famoso com o nome de "mudança de paradigma". Robert Wright mostra neste livro pioneiro que tal mudança está ocorrendo neste momento -- e ela transformará a maneira com que as pessoas encaram a vida e escolhem vivê-la.

Do trabalho de biólogos evolucionistas e de acadêmicos das ciências sociais está emergindo uma nova ciência, chamada psicologia evolucionista, e, com ela, uma revisão radical da natureza e da mente humanas. À luz desta ciência as perguntas mais antigas e mais básicas parecem diferentes e suscitam perguntas inteiramente novas. Será que os homens e as mulheres realmente foram feitos para a monogamia? Que ilusões são favorecidas pela evolução e por quê? Como e porque as experiências infantis tornam um indivíduo mais, ou menos, consciencioso? Qual é a lógica evolucionista por trás da política em um escritório -- ou da política de um modo geral? Por que existe uma relação de amor e ódio entre irmãos?

Quando, se é que tal coisa existe, o amor é verdadeiramente puro? Será que o senso humano de justiça -- e de justa retribuição -- é inato? Será que tal sentimento serve verdadeiramente à justiça?

Wright argumenta incisivamente que, embora muitos de nossos "sentimentos morais" possuam fundamento biológico, o mesmo se dá com a nossa tendência de nos iludirmos sobre a nossa bondade. Se quisermos levar uma vida verdadeiramente moral, precisamos primeiro compreender que tipo de animal somos.

Porque Não Sou Cristão
e outros ensaios sobre religião
e assuntos correlatos
(Why I am not a Christian: and other essays on religion and related subjects)
Bertand Russell
Livraria Exposição do Livro
1960, 220 páginas.

"Acredito eu quando morrer, eu me putrefarei e nada em mim sobreviverá. Não sou jovem, e amo a vida. Mas desdenharei os calafrios de terror ao pensamento da aniquilação total. A felicidade não é, absolutamente, menor e menos verdadeira apenas porque deve, necessariamente, chegar a um fim, e tampouco o pensamento e o amor perdem seu valor por não serem eternos."

Este livro, cuja essência de conteúdo está claramente definida nas próprias palavras de Bertrand Russel, acima reproduzidas, reúne vários ensaios sobre religião e assuntos correlatos, escritos entre 1899 e 1954, alguns dos quais inéditos. Russell, que desde sua juventude tem sido um resoluto livre-pensador, debate nestas páginas as questões relativas à posição do homem no universo e à natureza de uma vida duradoura e saudável. E é, de modo incisivo, eloqüente, repontado de graça e espírito, que Bertrand Russell aborda esses tópicos, expressando-se com a mesma brilhante prosa que fizeram famosos todos os seus trabalhos. Conseqüentemente, estes ensaios talvez sejam a mais incitante e a mais atraente apresentação do modo de pensar de um ateísta desde os dias de Hume e Voltaire.

(Os textos acima foram retirados da contra-capada edição brasileira de 1960)

Bertrand Russell nasceu a 18 de maio de 1872, sendo o segundo filho do Visconde Amberley. Educou-se no Trinity College, em Cambridge, onde demonstrou desde cedo sua extraordinária propensão para as matemáticas e as ciências exatas, certo de que elas constituíam a fonte de todo o progresso humano. Em 1910, em associação com o Dr. A. N. Whitehead, publicou o primeiro volume de Principia Mathematica que lhe granjeou a admiração de todos os grandes vultos da ciência universal.

Com o correr dos anos, Bertrand Russell foi se dedicando mais e mais aos estudos filosóficos e o lançamento de seus livros Problems of Philosophy (1911) e Our Knowledge of the External World (1914) contribuiu para lhe garantir posição de inegável prestígio.

Da família, que sempre exerceu grande influência na política inglesa (seu avô, Lord John Russell, foi duas vezes Primeiro Ministro), Bertrand Russell herdou acentuado interesse pelos problemas sociais. Apoiou o movimento sufragista, foi campeão do pacifismo por ocasião da 1ª Grande Guerra, o que lhe valeu cerrada oposição de muitos círculos. Viajou por toda a Europa depois de 1918 e, em 1920, passou algum tempo na União Soviética, o que lhe bastou para escrever obra interessantíssima, Practice and Theory of Bolshevis. Permaneceu, mais tarde, um ano inteiro na China, onde pronunciou uma série de conferências, reunidas em volume sob o título The Analysis of the Mind (1921).

Entre as duas guerras mundiais foi extremamente prolífica sua produção literária, sobressaindo-se a famosa obra The Conquest of Happinness (1930). Em 1946, passado o cataclisma do nazi-fascimo, publicou A History of Western Philosophy, que é considerada sua obra prima. Em 1949 recebeu a valiosa condecoração da Ordem do Mérito e, em 1950, o famoso Prêmio Nobel.

Publicou em 1953 seu primeiro trabalho de ficção, um livro de contos -- Satan in the Suburbs -- o que vem provar quão variegados setores abrange sua extraordinária capacidade.

Parte das revisões acima foram extraídas da folha de rosto dos livros.

Veja também:

Existem outros livros em português que também tratam do combate a pseudociência, em breve pretendo colocá-los aqui. Se você tiver alguma sugestão ou gostaria de comentar um livro, envie suas idéias através da página de sugestões ou por e-mail.

   

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 por
Gilson Cirino dos Santos.
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