Início  Como Colaborar  

 

 

Evolução

Buscar
   

powered by FreeFind

 

Visite o site do Quackwatch em português
Gostaria de ver seu banner aqui, é grátis!!!

 

Agosto de 2000

Início

SI Digest

Livros

Colabore

Links

Evolução

Quem são os "cientistas" da criação?

Evolução e termodinâmica

O Que é Evolução Biológica?

O Argumento do "Projetista Inteligente" 

Quais São os Verdadeiros Objetivos do "Cientistas" da Criação

 

ICTHYOSTEGA: UM FÓSSIL TRANSICIONAL 

Por: Lenny Flank
© 1995

Tradução Cássia C.C. Santos

Os criacionistas afirmam apaixonadamente que "não existem formas transicionais no registro fóssil".  Um dos melhores fósseis transicionais, entretanto, é o Icthyostega, no qual combinam-se tanto características de peixe como de anfíbio, e representa a transição dos vertebrados entre a vida aquática e  a terrestre

.

Fig.1 Icthyostega   

Os vertebrados terrestres descendem de uma classe de peixes antigos denominados "peixes de barbatana lobulada", ou Crossopterigianos. Em particular, a família de peixes de água doce dos Crossopterigianos conhecida como Rhipidistianos tinha um número de traços únicos em comum com os vertebrados terrestres. Os Rhipidistianos de água doce parecem ter sido os ancestrais diretos dos primeiros vertebrados terrestres, enquanto que outros Crossopterigianos evoluíram para especializados peixes marinhos de mares profundos. Como os animais de mares profundos raramente são fossilizados, não há rastros dos Crossopterigianos no registro fóssil após o final do Cretáceo, cerca de 65 milhões de anos atrás. Entretanto, sabemos que os Crossopterigianos evoluíram para  peixes cada vez mais especializados para uma vida em mares profundos porque em 1939 um Crossopterigiano vivo, o Coelacanthus lattimeria, ou Celacanto, foi dragado de uma fossa marinha nas costas da África.

Entre as características únicas que apareceram nos peixes Rhipidistianos foi um padrão de crânio que se aproxima ao dos mais primitivos anfíbios conhecidos. No peixe Rhipidistiano Osteolepis, há dois ossos no teto do crânio que correspondem aos ossos parietais dos vertebrados terrestres, e entre eles existe uma abertura para a glândula pineal ou "terceiro olho", que nos animais terrestres serve como detector de luz para calibrar os relógios internos. [As aves, por exemplo, "sabem" mediante esta glândula quando se encurtam os dias -- entrada do inverno -- época em que diminuem ou cessa sua produção de ovos já que não é adequado reproduzir-se em virtude de recursos alimentares escassos e baixas temperaturas. Os avicultores "enganam" as aves mediante luz artificial].

Os Rhipidistianos também se caracterizavam por duas articulações móveis que se estendiam através do crânio, uma no teto da boca, e a outra na base do crânio. Estas articulações permitiam ao peixe aumentar a abertura de sua boca e engolir objetos maiores.

De longe, as características mais importantes dos Rhipidistianos, entretanto, eram suas barbatanas lobuladas, as quais consistiam de dois pares de projeções polpudas com uma barbatana radiada em seus extremos. Cada lóbulo continha vários ossos e músculos que permitiam que a barbatana se movesse, o que permitia ao peixe se impulsionar ao longo do fundo do rio (algo parecido ao moderno "bagre caminhante"). A barbatana lobulada dos Rhipidistianos estava altamente desenvolvida em espécies posteriores, como o Eusthenopteron. O Eusthenopteron diferia de muitos outros Riphidistianos por ter várias projeções ósseas partindo de seus ossos vertebrais, as quais davam uma proteção adicional à medula espinhal.


Fig.2 Eusthenopteron

No Devoniano superior, há uns 375 milhões de anos atrás, apareceu o primeiro vertebrado terrestre conhecido, chamado de Ichthyostega. O Icthyostega possuía membros bem desenvolvidos com cinco dedos, assim como todos os outros vertebrados terrestres. Os membros do Icthyostega possuíam uma estrutura esquelética que consistia de um osso superior grande e único (chamado de úmero no membro dianteiro e fêmur no posterior) e dois ossos longos na extremidade mais inferior (chamados de rádio e ulna no membro dianteiro; e tíbia e fíbula no membro posterior). Os dedos e "punhos" são formados por um grande número de ossos menores. Este padrão também é encontrado em todo vertebrado terrestre. As polpudas barbatanas lobuladas dos peixes Rhipidistianos têm uma estrutura óssea idêntica, que corresponde um com um com os esqueletos dos membros de Icthyostega e outros vertebrados terrestres.

Além de seus membros com cinco dedos e outras características anfíbias óbvias, entretanto, o Icthyostega ainda possuía várias das características que eram únicas aos seus ancestrais, os peixes Rhipidistianos. A mais evidente destas era uma grande barbatana radiada, como a dos peixes, junto às bordas posteriores da cauda. Os suportes da barbatana óssea encontrados no Icthyostega são idênticos aos encontrados nas barbatanas da cauda dos Rhipidistianos, e não se encontram em nenhum outro grupo de anfíbios. O Icthyostega também retinha pequenas escamas em sua pele, um traço característico dos peixes Rhipidistianos mas não dos anfíbios, que possuem uma pele lisa, sem escamas.

Várias características do crânio do Icthyostega eram também compartilhadas com os Rhipidistianos. Os Rhipidistianos,  como muitos peixes, possuíam vários ossos do crânio conhecidos como operculares, sub-operculares e pré-operculares, que sustentam as coberturas de guelras (opérculo) dos peixes, as quais protegem as guelras. O Icthyostega não possuía opérculo, e tinha pedido os ossos operculares e sub-operculares de seus ancestrais peixes, mas ainda mantinha os ossos pré-operculares, ainda que reduzidos no tamanho, na mesma posição precisa que estes ossos apareciam nos Rhipidistianos. A articulação móvel da base do crânio dos Rhipidistianos ainda estava presente nos Icthyostegas, mas a articulação do céu da boca era fundida e imóvel. O Icthyostega também retinha a abertura pineal no crânio a qual caracteriza os anfíbios (e que também estava presente nos Rhipidistianos).

Outra característica do crânio dos Rhipidistianos era a configuração das fossas nasais. Em todos os anfíbios, as narinas internas estão separadas das aberturas externas no crânio por uma ampla barra óssea. No Icthyostega, as narinas internas estão muito próximas das narinas externas, e estão separadas por apenas um fino osso, assim como nos Rhipidistianos. Icthyostega também possuía um pequeno osso rostrolateral entre as narinas, que é encontrado nos peixes Rhipidistianos mas não em qualquer outro crânio anfíbio.

Os ossos vertebrais do Icthyostega eram também muito parecidos aos dos peixes Rhipidistianos. Se bem que cada osso vertebral possuía uma projeção ou "processo" ósseo, as vértebras eram soltas e não estavam firmemente conectadas umas às outras como ocorre em todos os outros vertebrados terrestres. Já que os animais terrestres necessitam de uma forte e sólida coluna vertebral para sustentar seu próprio peso contra a gravidade, isto sugere que, apesar dos membros com cinco dedos, o Icthyostega ainda não tinha se tornado eficiente em locomoção terrestre e provavelmente passava a maior parte do tempo na água (como seria esperado num animal de transição peixe-anfíbio), utilizando seus membros para empurrar a si mesmo ao redor do fundo do rio. Isto é confirmado pela presença no esqueleto do Icthyostega dos canais para as linhas laterais usados pelos peixes para sentir as vibrações na água.

O Icthyostega e seus descendentes posteriores pertenciam a um grupo de anfíbios conhecidos como Labirintodontes, ou "dentes-labirinto", um nome que provém da característica da cobertura dental dobrada em si mesma, formando um complicado padrão tipo labirinto. Este traço único é compartilhado por apenas dois grupos de animais -- os anfíbios Labirintodontes e os peixes Crossopterigianos.

Portanto, os fósseis de Icthyostega demonstram claramente um animal que possuía vários traços que eram únicos a dois grupos de animais inteiramente separados. Os traços tipo anfíbio do Icthyostega -- os membros pentadáctilos e as cinturas pélvicas e escapulares -- marcam o Icthyostega como o mais antigo vertebrado conhecido capaz de caminhar na terra, enquanto que seus traços tipo peixe -- as escamas, os ossos pré-operculares, as barbatanas ósseas radiadas, a configuração das fossas nasais, e a coluna vertebral frouxamente interconectada -- marcam-no como bastante primitivo e similar a um peixe, numa curiosa mistura de atributos transicionais entre peixes e anfíbios. Os criacionistas estão totalmente perdidos ao explicar todos estes traços únicos, tanto aos peixes Rhipidistianos como ao Ichthyostega.

Publicado em 04/08/00

 

Alto da Página

 

 

 

 

(agosto/00)

 

Darwin Fish
Copyright © 2000 Darwin Magazine
Primeira versão criada em março de 1997
 por Gilson Cirino dos Santos.
Curitiba, Paraná - Brasil.

Página Inicial | Evolução | SI Digest | Livros | Links | Sugestões

Hosting by WebRing.