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"O Exorcista"

Amherst, NY (27 de setembro de 2000) -- O relançamento do filme de terror de 1973 "O Exorcista" (The Exorcist) estreou nos cinemas norte-americanos na última sexta-feira, apresentando a uma nova geração a visão de Hollywood da possessão demoníaca. O relançamento ainda não atingiu o grande público, mas já renovou a discussão na vida real sobre a crença em possessão e exorcismo.

A manchete da primeira página da edição de 19 de setembro de 2000 do Chicago Sun-Times, dizia: "Arquidiocese tem exorcista: A Igreja Católica local designa o primeiro especialista em tempo integral em possessão demoníaca." Um artigo da Time de 2 de outubro de 2000, discute o ressurgimento do ritual do exorcismo, observando que o falecido Cardeal John O'Connor de Nova York designou quatro exorcistas que agora investigam uma média de 350 casos por ano.

Aqueles que consideram o exorcismo moderno como um remanescente raro de superstição medieval pode se surpreender pela persistência da crença em possessão demoníaca entre os norte-americanos modernos. De acordo com uma pesquisa do Instituto Gallup de 1996, 42% dos americanos responderam "sim" quando indagados se achavam que "pessoas na Terra são algumas vezes possuídas pelo Demônio." Mas curiosamente, apesar do reconhecimento tradicional e prática do ritual de exorcismo pela Igreja Católica -- protestantes é que são na verdade mais prováveis de acreditar na possessão demoníaca que os católicos (47% comparado com 37%).

A pergunta inevitável dos céticos é: Qual é a evidência para apoiar tais crenças?

Comportamentos antes considerados como sinais de possessão são agora reconhecidos como condições psiquiátricas tratáveis. Na edição de primavera de 1988 da Skeptical Inquirer (págs. 248-262), Barry Beyerstein, psicólogo da Simon Fraser University na Colúmbia Britânica e membro do Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (CSICOP), mostrou que epilepsia, enxaqueca e síndrome de Tourette estão entre as fontes de antigas noções de possessão. E ele cita um trágico caso alemão de 1978 em que uma jovem epiléptica morreu durante um "exorcismo brutal de 11 meses".

Com este conhecimento moderno da mente e do cérebro, Beyerstein e outros céticos concluíram que os únicos demônios de quem as pessoas precisam ser exorcizadas são suas próprias crenças errôneas. O professor Paul Kurtz, presidente do CSICOP, preocupa-se quanto aos perigos de se deixar de dar tratamento legítimo ao doente mental se seus familiares e pastores [ou padres] começarem a confiar na prática crescente do exorcismo. Ele lamenta "a reversão para superstições antigas e exorcismo bárbaros nos dias atuais da medicina e psiquiatria modernas."

A própria igreja Católica está dividida justamente sobre o que exorcistas estão tentando exorcizar. Apesar de que vários teólogos ainda acreditam que entidades demoníacas tomam posse de seres humanos, o Reverendo Eugene Lauer, co-diretor do Centro Hesburg da Catholic Theological Union em Chicago, disse ao Chicago Sun-Times que "Há também um forte traço contemporâneo que mantêm o demônio ou um espírito maligno que é uma personificação de tendências demoníacas e direções demoníacas que estão no intimo da condição humana."

O pesquisador e membro do CSICOP Joe Nickell aponta que casos de possessão são algumas vezes o resultado de fraudes. Em seu livro de 1995, Entities: Angels, Spirits, Demons, and Other Alien Beings [Entidades: Anjos, Espíritos, Demônios e Outros Seres Estranhos], Nickell descreve o exorcismo televisionado de uma menina de dezesseis anos em 1991 no programa "20/20" da ABC (pág. 119-120). Ele e um grupo de mágicos assistindo ao programa descobriram que os movimentos convulsivos da menina seriam um caso de uma "representação medíocre". De acordo com Nickell, um estudioso Católico, o Reverendo Richard McBrien (entrevistado no "Nightline" da ABC, 5 de abril de 1991) "denunciou a coisa toda como um embaraçoso remanescente da Idade Média. Ele disse que o exorcismo -- e por conclusão uma crença em possessão demoníaca -- 'ridiculariza a fé'".

O mesmo caso que trouxe a possessão demoníaca e o exorcismo à tona na imaginação popular foi recentemente criticado. "O Exorcista" é baseado no best-seller homônimo de 1971 de William Peter Blatty. Por sua vez, Blatty baseou seu livro em um caso real que ocorreu em Maryland em 1949, envolvendo um menino de treze anos. Começou com um fenômeno inicialmente atribuído a um poltergeist: rangidos misteriosos, objetos transportados pelo ar, a cama do menino mexia violentamente -- o tipo de ocorrências que, de acordo com Joe Nickell, freqüentemente vem a ser travessuras de crianças. Estes distúrbios aumentaram quando o menino entrou em um acesso de cólera com gritarias e blasfêmias, intercalado com frases em latim.

Em uma investigação a fundo para a Strange Magazine, Mark Opsasnik revelou a verdade por detrás do relato em que "O Exorcista" é baseado. Opsasnik concluiu que o menino nunca esteve realmente possuído, mas somente um jovem perturbado que tentava pregar uma peça.

Elementos do caso em que Blatty extraiu para seu romance de 1971 são claramente exagerados quando comparados com relatos de testemunhas oculares. O padre Walter Halloran, um sacerdote envolvido nos incidentes de 1949 descreveu ocorrências muito menos dramáticas que previamente alegado. Por exemplo, o menino cuspiu mas não teve acessos de vômitos ou urinação. O único idioma incomum que ele falou foi o latim, o qual Halloran achou que era simplesmente um caso do menino imitando os padres. E quando Opsasnik perguntou sobre a força sobre-humana alegada ao menino possuído, o padre replicou, "....Eu nunca pensei muito sobre isto. Certamente não era [Mike] Tyson batendo em meu nariz ou algo parecido".


O Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (CSICOP) foi fundado em 1976 pelo Dr. Paul Kurtz, em cooperação com Carl Sagan, Isaac Asimov e outros. CSICOP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a promoção do exame crítico e científico do paranormal e das alegações pseudocientíficas. Skeptical Inquirer, uma publicação bimestral, é a revista do Comitê. Destaca artigos examinando desde a medicina alternativa até os OVNIs. Membros da mídia podem contatar Kevin Christopher em (716) 636-1425 ext. 224 [nos EUA].

Kevin Christopher
Public Relations Director
CSICOP/Skeptical Inquirer
P.O. Box 703
Amherst, NY 14226 - EUA
Tel: (716) 636-1425 ext. 224
Fax: (716) 636-1733
E-mail: SIKevinC@aol.com

Tradução: Gilson C. Santos

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